Apresentação: Baudelaire, o poeta do mundo moderno
Charles Baudelaire
Paris, França 1821- 1867
Órfão de pai aos seis anos, Charles-Pierre Baudelaire viria a odiar o segundo marido da mãe, o general Jacques Aupick. Após anos de desavenças com o padrasto, Baudelaire interrompeu os estudos em Lyon, na França, para fazer uma viagem à Índia. Na volta, participou da Revolução de 1848.
Paris, França 1821- 1867
Órfão de pai aos seis anos, Charles-Pierre Baudelaire viria a odiar o segundo marido da mãe, o general Jacques Aupick. Após anos de desavenças com o padrasto, Baudelaire interrompeu os estudos em Lyon, na França, para fazer uma viagem à Índia. Na volta, participou da Revolução de 1848.
Após esse período conturbado, passou a frequentar a elite aristocrática. Envolveu-se com a atriz Marie Daubrun, a cortesã Apollonie Sabatier e a também atriz Jeanne Duval, uma mestiça por quem se apaixonou e a quem dedicou o ciclo de poemas “Vênus Negra”.
Em 1847, lançou “La Fanfarlo ”, seu único romance (trata-se, mais propriamente, de uma novela autobiográfica). Dez anos depois, quando se publicaram “As Flores do Mal” (“Les Fleurs du Mal”), todos os envolvidos com o livro foram processados por obscenidade e blasfêmia. Além de pagarem multa, viram-se obrigados a retirar seis poemas do volume original – só publicado na integra em edições póstumas.
Tanto “As Flores do Mal” como “Pequenos Poemas em Prosa” (póstumos, 1869) introduziram elementos novos na linguagem poética, fundindo opostos existenciais como o sublime e o grotesco.
Tanto “As Flores do Mal” como “Pequenos Poemas em Prosa” (póstumos, 1869) introduziram elementos novos na linguagem poética, fundindo opostos existenciais como o sublime e o grotesco.
Entre seus ensaios, destaca-se “O Princípio Poético” (1876), em que fixa as bases de seu trabalho. Nos diários (também publicados postumamente), revela-se profético e radical contestador da civilização moderna.
De 1852 a 1865, Baudelaire traduziu os textos do poeta e contista norte-americano Edgar Allan Poe por quem se entusiasmara já no final da década de 1840.
Outro Baudelaire, o sifilítico e usuário de drogas, surge em “Os Paraísos Artificiais, Ópio e Haxixe” (1860), uma especulação sobre plantas alucinógenas, parcialmente inspirada pelas “Confissões de um Comedor de Ópio” (1821), do escritor inglês Thomas de Quincey. Há também obras de cunho intimista e confessional, como “Meu Coração Desnudo”.
Outro Baudelaire, o sifilítico e usuário de drogas, surge em “Os Paraísos Artificiais, Ópio e Haxixe” (1860), uma especulação sobre plantas alucinógenas, parcialmente inspirada pelas “Confissões de um Comedor de Ópio” (1821), do escritor inglês Thomas de Quincey. Há também obras de cunho intimista e confessional, como “Meu Coração Desnudo”.
Dissipou seus bens na boemia e na jogatina parisienses. Mergulhado em dívidas, teve de resignar-se a medidas judiciárias tomadas pelos familiares, e um tutor foi nomeado para controlar-lhe os gastos.
Seus últimos anos foram obscurecidos por doenças de origem nervosa. Após uma vida repleta de tribulações, Baudelaire morreu com apenas 46 anos, nos braços da mãe. Seu talento e seu intelecto só seriam totalmente reconhecidos depois. No século 20, tornou-se um ícone, influenciando direta e indiretamente toda a moderna poesia ocidental.
Paráfrase
A paráfrase é a primeira parte da análise. A ela corresponde à resposta da questão “o que fala o poema?”. É uma espécie de explicitação do sentido literal do texto, por mais evidente ou estranho que isso possa parecer.
A paráfrase é a primeira parte da análise. A ela corresponde à resposta da questão “o que fala o poema?”. É uma espécie de explicitação do sentido literal do texto, por mais evidente ou estranho que isso possa parecer.
Hipótese interpretativa
Existe uma espécie de paradoxo entre análise e interpretação. Se por um lado a interpretação é uma consequência do que foi investigado na análise, por outro é a própria interpretação que norteia a análise toda.
Quando começamos a analisar um poema, estamos buscando elementos para atingir o seu sentido mais profundo. Ao mesmo tempo, desde o início temos em mente uma possibilidade de leitura, uma hipótese interpretativa. O que vamos fazer aqui é torná-la consciente.
Existe uma espécie de paradoxo entre análise e interpretação. Se por um lado a interpretação é uma consequência do que foi investigado na análise, por outro é a própria interpretação que norteia a análise toda.
Quando começamos a analisar um poema, estamos buscando elementos para atingir o seu sentido mais profundo. Ao mesmo tempo, desde o início temos em mente uma possibilidade de leitura, uma hipótese interpretativa. O que vamos fazer aqui é torná-la consciente.
Há uma distância entre o sentido literal e o figurado desse poema. Para verificar se nossa hipótese tem fundamento, é preciso partir para a análise.
Análise
Analisar é “desmontar” o poema, é verificar de que forma as palavras deixam a sua acepção corrente e ganham a dimensão de imagem. É investigar a organização do discurso poético: quais são as partes que o compõem e como elas se articulam. Cada poema tem inúmeros elementos que, articulados, geram diferentes significações. A ideia não é investigar todos esses elementos de forma mecânica, mas somente aqueles que sirvam para verificar a sua hipótese interpretativa.
A análise constrói argumentos que sustentam a interpretação. É ela que vai conduzir o leitor através do seu raciocínio. É como se, lendo a sua hipótese interpretativa, o leitor dissesse “não entendi” ou “não concordo”. Sua análise é o caminho para convencê-lo.
Se durante o processo de análise perceber que sua hipótese não é central para a compreensão do “sentido profundo” do poema, demonstre, sempre de forma argumentativa, a não centralidade da sua tese anterior (hipótese interpretativa) e formule sua nova hipótese. Com ela formulada, continue a convencer o leitor dos novos rumos da sua análise. Não há problema nenhum em trocar de hipótese. Ao contrário, muitas vezes isso é indício de uma leitura rigorosa. Analisar é “desmontar” o poema, é verificar de que forma as palavras deixam a sua acepção corrente e ganham a dimensão de imagem. É investigar a organização do discurso poético: quais são as partes que o compõem e como elas se articulam. Cada poema tem inúmeros elementos que, articulados, geram diferentes significações. A ideia não é investigar todos esses elementos de forma mecânica, mas somente aqueles que sirvam para verificar a sua hipótese interpretativa.
A análise constrói argumentos que sustentam a interpretação. É ela que vai conduzir o leitor através do seu raciocínio. É como se, lendo a sua hipótese interpretativa, o leitor dissesse “não entendi” ou “não concordo”. Sua análise é o caminho para convencê-lo.
Não podemos esquecer também que, em arte, forma é conteúdo. Por isso, é preciso ressaltar a contribuição que alguns aspectos formais possam vir a ter na economia do poema. “Aspectos formais” são elementos que se referem menos diretamente ao que foi escrito e mais ao como foi escrito: as rimas, a divisão em versos, repetições de palavras, refrões, aliterações, assonâncias, as diferentes figuras de linguagem etc. O que, na forma do poema “o albatroz”, chama mais atenção?
O comentário
Em alguns poemas, a análise solicita informações externas à obra para elucidar seu sentido mais profundo. “A partir de agora, [o poema] será concebido não como um todo autônomo, mas parcela de um todo maior. Assim como as partes do poema são elementos de um conjunto próprio, o poema por sua vez é parte de um conjunto formado pelas circunstâncias de sua composição, o momento histórico, a vida do autor, o gênero literário, as tendências estéticas de seu tempo, etc. Só encarando-o assim teremos elementos para avaliar o significado da maneira mais completa possível (que é sempre incompleta, apesar de tudo)”, diz Antonio Candido no livro Na sala de aula: caderno de análise literária.
Em alguns poemas, a análise solicita informações externas à obra para elucidar seu sentido mais profundo. “A partir de agora, [o poema] será concebido não como um todo autônomo, mas parcela de um todo maior. Assim como as partes do poema são elementos de um conjunto próprio, o poema por sua vez é parte de um conjunto formado pelas circunstâncias de sua composição, o momento histórico, a vida do autor, o gênero literário, as tendências estéticas de seu tempo, etc. Só encarando-o assim teremos elementos para avaliar o significado da maneira mais completa possível (que é sempre incompleta, apesar de tudo)”, diz Antonio Candido no livro Na sala de aula: caderno de análise literária.
Comentário
Exemplo resumido: Charles Baudelaire é considerado o precursor da poesia moderna. Ele percebeu como ninguém a mudança de sensibilidade inerente à vida agitada das grandes cidades da era industrial. No mundo moderno, não há mais lugar para a comoção lírica e o poeta precisa se adaptar aos novos tempos. Para Baudelaire, o poeta moderno deve abandonar o belo sublimado da poesia romântica e descer ao rés-do-chão para falar com um leitor cuja sensibilidade está habituada a vivências de choque. Os leitores dessa nova realidade têm os sentidos hiperexcitados pelo mundo das mercadorias e estão pouco afeitos a efusões líricas. Têm a sensibilidade embotada e a imaginação reduzida. Por isso, mundo moderno exige uma nova poesia, que encontre beleza no feio, na lama, na miséria. Baudelaire reivindicou a todos os aspectos da realidade, inclusive os mais horrendos e grotescos, o direito de serem figurados na linguagem poética.
Interpretação
Interpretar significa escolher uma leitura entre outras possíveis. A interpretação corresponde à resposta da questão “do que fala o poema”. Ela é a exposição de seu sentido profundo. É ele que estamos buscando desde o início. É também agora que vamos refazer de forma sintética o caminho da primeira hipótese, a “hipótese interpretativa”, até a formulação final que fizemos durante o processo de análise e concluir o trabalho.