quinta-feira, 31 de março de 2011

O adeus de Tereza - Castro Aves
A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...
E amamos juntos... E depois na sala
“Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala...

E ela, corando, murmurou-me: “adeus”.

Uma noite... entreabriu-se um reposteiro...
E da alcova saiu um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus...
Era eu... Era a pálida Teresa
!“Adeus” lhe disse conservando-a presa...

E ela entre beijos murmurou-me: “adeus!”

Passaram tempos... séculos de delírio...
Prazeres divinais... gozos do Empíreo...
... Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse – “Voltarei!... descansa!...”
Ela
, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me:
“adeus!”

Quando voltei... era o palácio em festa!...
E a voz d’Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei!... Ela me olhou branca... surpresa!
Foi a última vez
que eu vi Teresa!...

E ela arquejando murmurou-me:
“adeus!”
Responda as perguntas abaixo.
a- O poema de Castro Alves foi escrito aproximadamente um século antes do de Manuel Bandeira. O poema de Bandeira pode ser lido como uma paródia do de Castro Alves?
b- O que da estrutura do poema O adeus de Teresa se mantém em Teresa?
c- Em qual dos dois poemas a linguagem se aproxima mais da fala cotidiana? Por quê?
d- No poema de Manuel Bandeira, o Eu-lírico termina unido à sua amada. Ocorre o mesmo no de Castro Alves?
e- Há algum momento, no poema de Bandeira, em que ele sai do registro cotidiano da linguagem e se torna mais parecido com o de Castro Alves? Por quê?